7 meses se passaram desde que a Mary foi embora.
Se eu tinha superado? É claro que não, eu jamais superaria a
perda.
Mas eu tinha certeza que eu nunca ia poder perdoá-la.
Quanto ao John...
Bem, eu não posso dizer que eu perdoei ele, mas eu não
sentia ódio ou qualquer outra coisa ruim por ele.
Afinal, nós éramos uma banda, e eu precisava dele, assim
como ele precisava de mim.
Ele e Mary se casaram numa cerimônia reservada, que é claro
que eu não compareci.
Acho que foi melhor assim.
A imprensa os perturbava tentando descobrir como a mulher que iria se casar comigo, se casou com ele.
Mas nós não falávamos nada. Eles podiam pensar o que quiser, eu não me importava.
Depois eles foram morar juntos em outra cidade, longe de
tudo e ele só vinha á Londres á trabalho.
Eu falava com ele por telefone quase todo dia. Acho que o
fato de nós sempre termos amado a mesma mulher nunca afetou nossa amizade. E
isso é ótimo.
Mas em nenhum momento nós falávamos dela. Eu tinha
curiosidade para saber como ela estava depois da gravidez, se ela estava bem de
saúde...Mas eu nunca perguntava, tinha medo do John levar á mal, já que
estávamos falando da esposa dele.
Eu estava me olhando no espelho, arrumando o nó da gravata,
perdido em tais pensamentos.
-Deixa que eu te ajudo com isso – Kendra chegou e
rapidamente arrumou o nó da minha gravata.
-Obrigado... inclusive obrigado por todo o apoio que você
tem me dado nos últimos meses.
A Kendra nunca me deixou sozinho.Ela vinha me ver todos os dias, e nós conversávamos por
horas.
Graças á isso, eu a conhecia. Eu realmente a conhecia. Sabia
o que ela sentia.
E ela também me conhecia por completo.
Apesar de todo esse tempo em que nós nos encontramos todos
os dias, nunca aconteceu nada.
Apesar de ela me amar, nós tentamos transformar nossa
atração m amizade. Acho que deu certo. Pelo menos até agora.
-Você não precisa agradecer, agora vamos ou a gente vai se
atrasar para o casamento!
Ela tentou me puxar para fora do quarto pela mão, mas eu a
puxei pra mim beijando seus lábios rapidamente.
Eu não conseguia mais me controlar.
-Me desculpa- eu disse olhando em seus olhos, mas ela desviou eles de mim.
-Eu te espero no carro.
Minutos depois eu fui até carro e nos dirigimos até a Igreja
sem dizer uma palavra.
Entramos na igreja pequena, com poucos convidados.
Ela se sentou em um dos bancos e eu assumi minha posição de
padrinho no altar.
O noivo, George, estava soando feito um porco.
-Ela está demorando né? – ele cochichou no meu ouvido
-Aaaah você não soube?
- O que? – ele me olhou a apavorado
-A Nath não vem, ela descobriu que não ia aguentar fazer
comida pra você e desistiu
Tentei rir o mais baixo possível, mas foi inevitável.
George me deu um tapa enorme nas costas, repetindo
freneticamente que não tinha graça nenhuma.
Mas a verdade é que George me surpreendeu quando soube
exatamente quem era a mulher com ele iria se casar, mesmo que os dois se
conheçam á pouco tempo.
Ele e a Nath formavam um casal perfeito, parecia aquele
casal dos comercias de margarina...ok , isso foi ridículo.
Mas eles não eram os únicos...
Nesse momento entrou na Igreja outro casal perfeito, ou
melhor, a família perfeita.
Ringo entrava com a Lucy no colo, que inclusive estava
enorme.
Le estava radiante, e como era a madrinha se pÔs ao meu lado
depois de cumprimentar ao George.
Ela e a Nath haviam se tornado grandes amigas, o que explica
ela ser a madrinha.
Ringo se sentou no banco á nossa frente.
Todos estavam ansiosos pela chegada da noiva.
Até que todos os olhares se desviam para a porta da Igreja,
mas não porque a noiva chegou.
John chegou.
Ele havia dito pra mim que talvez viesse ao casamento. Mas
eu estava descrente disso.
E eu errei.
Ele veio e acompanhado da esposa, Marylin.

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