8 Days a Week - Último Capítulo


- E qual será seu novo rumo? -  perguntou Paul abraço à Julie.

- Eu e Fernanda vamos para Paris novamente. – ela se desfez do abraço e ficou de mãos dadas com Paul por um tempo, os dois se encarando em silêncio. – Sentirei saudade do que vivemos.

- Espero ter a oportunidade de encontrar você novamente. – ele deu um sorriso, mas a felicidade não estava em seus olhos.

- Julie! – os dois olharam para Fernanda que estava no grande portão da saída, junto com Ringo. – Nossa limusine chegou!

- Bom… - os dois disseram em uníssono e sorriram.

- Eu… sentirei sua falta. – ele disse a puxando para um beijo apaixonado que foi interrompido pela buzina alta.

- Eu também. Muito. – ela o abraçou fechando os olhos fortemente para não chorar. Não era momento para demonstrar tanta fraqueza com sentimentos. – Só pra constar você é meu beatle favorito.

Os dois riram para o outro e um funcionário do hotel levou as bagagens de Julie. Quando ela entrou no enorme carro, acenou para Paul e permaneceu fazendo isso até que a limusine sumisse das vistas dos dois Beatles.

- É… você gosta mesmo dela. – disse Ringo.

- Vai passar. – Paul deu de ombros. – Você foi o único que se manteve com as emoções equilibradas.

- Eu tenho uma barreira. – apontou para seu nariz. – Entendeu? – riu.

- Você é muito engraçado. – revirou os olhos, Paul, levando um empurrão de Ringo.

Os dois se dirigiram para a sala de jogos encontrando John ensinando Lucy a jogar sinuca e George com cara de dor, sentado num sofá vermelho sangue e com uma bolsa de gelo na cabeça.

- Elas já foram? – perguntou John.

- Sim. – respondeu Paul chateado, juntando-se à George.

- Agora distancie um pouco… - John auxiliou Lucy. –… e tenta encaçapar aquelas duas. Já!

Lucy fez algum movimento inacreditável e conseguiu bater com o taco na barriga de John, que urrou de dor praticamente se deitando sobre a mesa.

- Oh meu Deus! – ela largou o taco e levantou John. – Você está bem?

- Ah, eu estou ótimo, você só adiantou minha necessidade de operar a vesícula. – ele se arrastou até o sofá e roubou o saco de gelo de George, colocando-o sem sua barriga.

- Hei! – o magrelo tomou a sacola da mão do amigo. – Quando que minha dor de cabeça vai passar?

- Deixe-me consultar meus poderes de mago. – Ringo fechou os olhos e massageou as têmporas.

- Sabe Ringo, acho que ainda tem catarro seu no meu cabelo. – John reclamou.

- Vocês nem me deixaram espirrar direito, nem vem! – ele puxou uma cadeira para se sentar. – Vocês me empurraram e eu quase quebrei meu nariz no chão.

- Corrigindo. – Paul se pronunciou. – Você quase quebrou o chão com seu nariz.

- Na verdade se vocês olharem bem ficou um rachado no piso. – riu John e todos o acompanharam.

- Mas e você, pequena Lucy. – disse George. – Quando teremos a honra de passar mais uma semana de farra com você?

- Nunca mais. – Ringo respondeu por ela lançando um olhar de ódio para John.

- Não me olha assim, senão eu não resisto, tigrão. – John fez uma garra com sua mão e mandou um beijo para Starr, que lhe devolveu com um gesto obsceno.

- Se daqui pra frente ainda tivermos a oportunidade, quem sabe. – ela sorriu e abaixou o rosto, observando John sobre os cílios.

- Rapazes. - Brian Epstein, que ficou tão sumido durante a semana enfurnado em seu quarto trabalhando ou descansando, chamou a atenção do quarteto. – Nosso carro chega quando anoitecer. Vamos para o aeroporto e pegaremos um avião para Nova Iorque.

- América, aí vamos nós! – George gritou e depois soltou um muxoxo pela pontada de dor que sentiu em sua cabeça.

- E é aí que vamos nos separar da nossa donzela. – John esticou o braço e Lucy foi para seu colo.

- E George Velerrison está de volta. – ele abraçou o casal.

- Podemos conversar a sós? – Lucy sussurrou no ouvido de John para que somente ele ouvisse.

Então os dois levantaram e foram de mãos dadas até a área da piscina que ficava nos fundos do hotel e se sentaram numa das espreguiçadeiras. Subitamente ela se lembrou do primeiro beijo dos dois. Era estranho para ela toda essa coisa de se envolver com uma pessoa desconhecida sem garantia nenhuma de um futuro juntos, diferente dele que estava acostumado a dormir com muitas mulheres apenas por diversão. Mas de qualquer forma havia algo de especial ali.

- Se um dia eu tiver tempo em toda essa correria da agenda dos Beatles – ele começou a dizer segurando a mão dela. – farei o possível para visitar você.

- Estarei esperando. – ela não se conteve.

- Não, não espere. – ele a olhou tristemente. – Eu adoraria poder ter sua companhia todos os dias Lucy, mas seria egoísmo da minha parte.

- Como assim? – ela franziu o cenho.

- Você merece atenção e ter uma vida tranquila. Toda essa agitação só é boa para quem é de fora. Eu não seria fiel, não te amaria como você merece. Não espere nada de mim, ok? – ele afagou o rosto dela. Ela apenas assentiu, ouvindo tudo que ela já sabia.

- Eu entendo… - suspirou. – Mas de qualquer forma eu adorei o que vivemos aqui.

- Sim. – ele sorriu. – E eu viverei isso todos os dias na minha memória.

(…)

Na televisão de sua casa, após contar cada detalhe da viagem – ou nem todos – para seus pais e suas amigas, Lucy assistia à televisão que noticiava a chegada dos Beatles em Nova Iorque dia sete de fevereiro de 1964. Seria a primeira turnê deles na América e ela sorriu se sentindo orgulhosa. Foi dormir pensando em cada dia que passou ao lado daquele quarteto divertido e surpreendente. O que viveu com John foi escrito em seu diário assim que ela chegou, para que ela nunca esquecesse de cada detalhe, cada toque e cada beijo. E é claro, isso seria particular, algo somente que ela e ele levariam em suas memórias para o resto da vida.

Em meados de 67, John, em uma das visitas que fez a Julian, brincou com o filho interagindo com seus desenhos.

- Gosto desse. – disse Julian estendendo uma folha para seu pai.

- Realmente muito bonito. Ela tem olhos muito bonitos. – John riu do desenho cheio de cores.

- É Lucy. – sorriu o garoto pegando o desenho de volta. – Minha coleguinha.

- Coleguinha? – John brincou com o garoto lhe fazendo cosquinhas. – Lucy é um nome… lindo. Aposto que sua Lucy deve ser tão linda quanto a minha.

- Você também tem uma Lucy, papai? – o garoto perguntou curioso.

- Sim, vou desenhá-la para você.

John não lidava com giz de cera e papel já havia anos, mas com um esforço conseguiu fazer um bom desenho. Cabelos castanhos ondulados, olhos verdes e um vestido reto. Tanto ele quanto Julian riram dos dotes artístico do Lennon mais velho. E enquanto os dois se divertiam, Lucy se encontrava num restaurante glamoroso, pronta para dizer sim para um pedido de casamento inesperado. Todos estavam felizes afinal.

Então passaram-se dias, semanas, meses e anos. Para a tristeza de muitos fãs, a banda não durou para sempre e em 1970 encerrou suas atividades. O filho de Lucy estava com apenas três anos de idade e assistiu sua mãe chorando inconsolável sem entender muita coisa. Seu nome era John, em homenagem ao cantor que foi uma das pessoas mais importantes na vida de Lucy.

- Hey, garotão. – o pai pegou John no colo. – A mamãe é uma chorona.

- Pare. – ela secou as lágrimas. – Preciso ligar para o Richard. Achei que eles estavam passando apenas por uma fase difícil.

- É uma banda, amor. – ele beijou o rosto de sua jovem esposa. – Que tal um ataque de cosquinhas na mamãe, John?

Eles eram uma família feliz. Dez anos mais tarde, Lucy e todo o mundo recebeu em choque a notícia do assassinato de John. Era como se algo dentro dela tivesse morrido e dado inicio a uma grande devastação dos seus sentimentos mais felizes. Chorou por dias, leu e releu seu diário, tentando mentalizar apenas o rosto de John sorridente e brincalhão. O seu John. Não podia acreditar que estava morto.

- Também me sinto arrasado. – John, agora com treze anos sentou-se no sofá ao lado da mãe. Beatles havia se tornado importante para ele tanto quanto era para Lucy. Assim que soube da notícia, se trancou no banheiro e chorou, e chorou, e chorou…

- Eu o amava. Muito. – ela suspirou. – Ainda amo.

- Pelo menos você já teve a oportunidade de estar com todos eles. – ele pegou o porta retratos da mão de sua mãe, com a foto do dia em todos se conheceram. – Você… deu umas bitocas em algum deles?

- John! – ela bateu com o porta retratos na cabeça do filho e os dois deram um sorriso cansado, ambos exaustos pelas emoções do dia.

- Não quis ser indelicado. – ele revirou os olhos. – Reformulando. Você namorou algum dos Beatles?

- Você é igualzinho ao Lennon. – ela sorriu. – Mas o que eu vivi com aqueles quatro naquela semana é um segredo só meu.

E nosso também.


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Nota da autora: então é isso gente, acabou. Decidi fazer fiel à realidade dos fatos, dando mais veracidade à história. Espero que tenham gostado, apesar de ter ficado um capítulo pequeno, não tinha como prolongar tanto, pois é o último e não tem muito o que se falar. Deixem comentários sobre o capítulo nessa postagem e sobre a história aqui na página principal dela :) Em breve aviso a todos sobre a nova, estrelando George Velerrison kkk qualquer coisa, entre em contato @djonlennon_

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