Capítulo 8
-
Ai, meu Deus. – Paul disse, não como um desesperado, mas como quem sabia que John
estava disposto a arranjar uma confusão ali mesmo.
-
É bom que peça a ajuda de Deus mesmo, vai precisar. – John ameaçou.
-
Não estou afim de brigar, John. – Paul disse, tentando passar pelo amigo que o
barrou.
-
De brigar eu sei que não, garotinha, mas de roubar os filhos dos outros...
-
Cala a boca, John! Não estou roubando nada de ninguém! – Paul cortou, furioso.
-
Colocar seu sobrenome num Lennon, pra mim é roubo! – John disse na mesma entonação.
-
Pense como quiser, então. – Paul disse, dando a volta e deixando pra trás John e
Mimi.
John entrou na casa sem ao menos
bater antes. Estava ainda acompanhado por Mimi.
-
O que você está fazendo aqui?! – Molly perguntou, referindo-se à John.
-
Que isso, maninha. – John disse irônico.
-
Eu só não...
-
Shhhhhh, vai acabar afetando nosso bebezinho. – John cortou as palavras de
Molly, caminhando até ela e iniciando uma carícia na barriga de Molly,
sarcástico.
Molly o olhou com raiva e deu um
tapa bem dado na face de John que recuou raivoso.
-
O que você tem na cabeça?! – John perguntou, agressivo.
-
Juízo. – Molly respondeu.
-
Isso se você tivesse, não estaria grávida. – Mimi disse, provocando risadas no
John.
-
E nem a senhora, pois se tivesse, não teria voltado à minha casa. – Molly retrucou.
-
Que menina insolente! – Mimi disse, raivosa. – Vamos, John. Deixe que McCartney
ature isso para o resto da vida dele. Afinal, assumindo essa criança, você só
tem a perder.
-
Tudo bem, tia Mimi. – John respondeu.
Mimi deu as costas e já foi saindo
da casa dos Heartfilia, enquanto John, ao chegar na porta, deu uma breve olhada
para Molly, sorrindo sinceramente.
-
Muito bom, maninha. – Ele sussurrou.
Aquilo deixou Molly completamente
confusa. Será que Lennon estava mesmo querendo iniciar uma amizade com ela? Mas
ela deveria aceitar isso, mesmo depois de tudo que ela estava passando e ainda
passaria? Ela não tinha as respostas para essas perguntas, o que a deixava mais
intrigada.
Mais tarde, naquele mesmo dia, Molly
chegou até seus pais que encontravam-se na sala.
-
Mãe... bom, você sabe... o John apareceu aqui como meu irmão e a Mimi como...
-
Ela morreu. – Eleanor cortou as palavras de Molly, já respondendo o que ela
queria perguntar.
-
Morreu? – Molly perguntou, aparentemente arrasada. – Mas... quando?
-
Quando você tinha dezessete anos. – Eleanor respondeu.
-
Dezessete anos? Minha nossa. – Molly parecia surpresa.
-
O que tanto te surpreende? – Eleanor perguntou.
-
Bom, com dezessete anos eu já tinha idade o bastante para descobrir toda a
verdade. Poderia ter visto, abraçado e a chamado de mãe...
-
Não, não poderia. – Eleanor cortou mais uma vez a filha.
-
Por que não? – Molly perguntou.
-
Filha, o John só conheceu de verdade Julia...
-
Julia? É esse o nome dela? – Molly cortou, curiosa.
-
Sim, filha. Prosseguindo, John a conheceu com quase dezessete anos e, bom, chegou
a passar seu aniversário com ela e tudo mais. Só que ele sofreu o que você não
precisou sofrer, quando Julia morreu num acidente. – Explicou.
-
Acidente? Como ela morreu? – Molly perguntava, curiosa.
-
Um carro atropelou ela. – Eleanor respondeu.
-
Onde? – Molly perguntou.
-
Em frente à casa de Mimi. Molly, pra quê tantas perguntas? – Eleanor parecia
incomodada.
-
Eu queria ter lamentado a morte dela, depois de alguns meses ao lado dela. –
Molly disse, lamentando.
-
Querida, ela não queria estar com você. – Eleanor disse.
-
Como pode saber? Ela pode ter me abandonado no nascimento mas, ao ter John com
ela, ela pode ter...
-
Já chega, Molly. – Eleanor levantou-se do sofá, indo até o seu próprio quarto.
Naquele momento, Molly notou que, se
quisesse saber mais sobre seus familiares, teria de ir atrás de John, o que
poderia causar problemas com Paul.
0 comentários:
Postar um comentário