A day in the life - Capítulo 4



Capítulo 4

- Não, eu estou muito lúcida, até demais. – Molly respondeu.

- Molly, do que está falando? – Robert acabava de chegar, perguntando.

- Eu quero a minha certidão de nascimento, é simples. – Molly disse, sorrindo.

- Não tão simples assim, não sabemos direito onde ela está. – Eleanor tentou sair com uma desculpa.

- Ah, não? Então eu ajudo a procurar. – Molly disse, deixando Eleanor sem saída.

- Então ta. – Eleanor concordou, nervosa.

            Molly não era idiota o bastante para não perceber os olhares que Eleanor e Robert trocavam. Eles modificavam o lugar da certidão todos os dias e sempre davam um jeito de Molly não achá-la. Isso durante meses.
- Molly, tem um rapaz aqui na porta querendo te ver. – Eleanor gritou.

- Já vou. – Molly disse, enquanto ia até a sala.

            O rapaz era Paul, que queria visitar a sua recente “melhor amiga”.

- Paul! – Exclamou, com um sorriso na face, vindo abraçar o amigo.

- Como vai? – Paul perguntou.

- Ih, minha menina não está nada bem, vive enjoada, tonta... – Eleanor se intrometeu.

- Mãe! Bom, eu vou dar uma saidinha com o Paul, dar umas voltas. Tudo bem? – Molly pediu.

- Tudo bem, querida. Vai lá. – Eleanor aceitou.

            Paul despediu-se da mãe de sua amiga e começou a caminhar junto dela.

- Senti que você precisa falar comigo. – Paul disse.

- É e nem sei como dizer isso, estou envergonhada. – Molly começou a dizer, encabulada.

- Ai, meu Deus. Já vi que não é coisa boa. – Paul disse, preocupado.

- É, não é. – Molly enrolou.

- Sem enrolar, me diga. – Paul insistiu.

- Sem enrolar? Bom, eu... como eu vou dizer isso...

- Com a boca, serve? – Paul disse, irônico.

- Achei que a ironia estivesse toda com Lennon. – Molly disse, rindo.

- A convivência faz a gente pegar um pouco dela. – Paul riu.

- Ok, sem mais enrolar, eu estou grávida, Paul. – Ela disse, sem fitá-lo.

- Está brincando comigo, não? – Paul perguntou, forçando uma risada.

- Não, Paul, é sério. Você lembra que, no dia em que nos conhecemos...

- Eu sei, não precisa dizer. – Paul cortou, parecia estar incomodado.

- O que eu faço agora, Paulie? – Ela perguntou.

- E-eu, eu não sei, Molly. – Ela disse, gaguejando.

- Eu preciso de uma solução! – Ela insistiu.

- Tudo bem, hum, vamos pensar. E se você falasse com ele? – Paul sugeriu.

- Tá louco? Ele me mata! Com criança e tudo. – Molly disse, assustada.

- Claro que não, eu vou estar contigo. – Paul disse, sorrindo.

- Promete? – Ela perguntou, insegura.

- Claro! – Ele confirmou.

- Então está bom. – Ela finalmente sorriu.

            Chegando em casa, notou que haviam visitas na casa. Então, se aproximou da sala, vendo que a mulher que havia batido a porta em Liverpool estava no sofá, com John Lennon ao lado, que parecia assustado ao vê-la.

- Oh, que bom que você chegou, querida. Junte-se a nós! – Eleanor sugeriu.

- Acho melhor não, mãe. Eu vou subir. – Molly negou o convite.

- Não é um convite, Molly. Vem logo. – Robert disse, irritado.

            Molly acabou sentando-se ao lado de Eleanor e notou que Lennon não tirava os olhos dela.

- Então, o que essa mulher quer aqui? – Molly perguntou, agressiva.

- Mais respeito com a Tia Mimi, garota. – Lennon defendeu.

- E quem é você pra....

- Chega! Não quero discussão aqui dentro, estão ouvindo? – Eleanor interrompeu.

- Eu tenho uma notícia pra você, Molly. – Mimi falou.

- Uma notícia? Ah, que ótimo! – Molly respondeu, sem fitá-la.

- Já que é assim, eu serei direta. Você e John Lennon são irmãos.  Irmãos gêmeos. – Mimi continuou.

- O quê?! – Molly e John disseram ao mesmo tempo.

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