A day in the life - Capítulo 2



Capítulo 2     


           O rapaz na porta era John Lennon e ele não parava de encarar Molly.

- Oi? – Molly perguntou.

- Quer entrar? Será um prazer. – Lennon disse, abrindo espaço para Molly entrar.

- Eu não acho muito conveniente. – Molly recuou.

- Ah, por favor, eu não vou fazer nada demais com você, a menos que queira. Hahaha! – Lennon disse, sarcástico.

- Olha, é melhor eu ir, então. – Molly disse, já dando às costas.

- Ou, ou, ou. Veio até aqui, me fez te atender e vai embora? – Lennon parecia estressado.

- É, exatamente. Eu vim com um propósito que você, pelo visto, não vai me dar. – Disse, tranquilamente e sarcástica.

- É, claro que veio com um propósito. Eu posso te dar sim. – Lennon disse, piscando.

- Não, não pode. Não sabe o que é, então fica aí. – Molly disse agressiva, caminhando mais rapidamente até a calçada.

            Quando a jovem deu uma leve olhada pra trás, deparou com a imagem do rapaz atrás dela, sério.

- Ai, meu Deus! Que susto! – Ela reclamou.

- Que foi? Você ta procurando o Paul? O George? Ou o Ringo? Nossa, o Ringo só se você for muito cabeçudinha... o nariz dele acaba com você. – Lennon perguntou, ironizando.

- Rin... o quê? Paul? George? Quem são esses? – Perguntou, assustada.

            Mais assustador ainda foi a reação do rapaz, que ficou observando-a como se a jovem fosse de outro planeta.

- O que foi? Não vai me responder? – Perguntou, curiosa e assustada.

- Em que mundo que você vive? – Lennon perguntou, chegando bem perto da face da jovem, para examinar melhor.

- Marte. E você? – Respondeu, irônica.

- Marte? Que pena, eu errei! Achei que fosse Saturno.  – Lennon ironizou também.

- Saturno? Por quê? – Perguntou.

- Vendo seus dedos... – Lennon segurou a mão da jovem, brincando com seus dedos que tinha um anel em cada um. – São os anéis... de Saturno, sabe?

            Molly ficou realmente bem constrangida com isso, ela gostava de usar muitos anéis e, aquilo pareceu ser uma cantada barata que, talvez, tivesse causado algum impacto na garota.

- Qual seu nome? – Lennon perguntou, fitando seus olhos.

- Molly... Molly Heartfilia. – Respondeu, nervosa.

- Eu sou John Lennon. – Ele disse, sorrindo.

- John Lennon? Acho que já ouvi esse nome em algum lugar... – Ela disse, pensativa.

- Claro que sim, eu sou um Beatle! – Ele exclamou, como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo.

- Beatle? Que isso? – Ela perguntou.

- Beatles, Beatles! A maior banda de todos os tempos! – Ele exclamava, estressado.

- Ok, vamos fingir que eu conheço. – Ela disse.

- Não conhece? Estou desconfiando que você é de Marte mesmo. – Ele disse, com uma das sobrancelhas arqueada.

- Talvez. – Ela riu.

            Com um papo barato, acabou levando Molly pra sua casa. Ela não era como as outras doces Beatlemaníacas que fariam de tudo por um beijinho. Ela não ligava pra fama dele e não era doce também. Era sarcástica/irônica e rebelde como ele, não usava os vestidos que todas as garotas ingênuas da época usavam. Somente os tubinhos e alguns com faixas na cintura.

- Engraçado, é como se estivéssemos conectados. – John disse, rindo.

- Você também notou isso? – Ela perguntou.

- Sim, mas não sei explicar. – John disse, confuso.

- Eu também não. – Concordou.

- Eu acho que nunca senti nada assim antes, nem com Cynthia. – Lennon continuou.

- O que está querendo dizer com isso, Lennon? – Molly perguntou, desconfiada.

- Eu quero dizer que você é diferente. – Ele continuou.

- Devo considerar isso um elogio? – Ela perguntou.

- Considere o que você quiser. – Ele disse.

            Lennon se aproximou de Molly, arqueando seu braço direito sobre o ombro da jovem que estava sentada no sofá, assim como ele. Deslizou sua mão na face da jovem, aproximando seus lábios aos dela, assim, roubando o primeiro beijo da jovem que, parecia tão avançada no tempo, mas nunca havia tido nenhum relacionamento por seu gênio complicado.

- John, eu não sei, não. – Molly disse, tentando recuar.

- Não esquenta, deixa só comigo. - Sussurrou, já roubando outro beijo.

            Não demorou muito para John trocar os beijos suaves pelos quentes interrompidos por algumas mordidas nos lábios. Ela acabou conseguindo escapar, correndo até a porta, apressada.

- Ei! O que você ta fazendo?! – Ele perguntou, confuso.

- Eu volto, John. – Ela deu um sorrisinho de canto de boca, seguido de uma piscadela.

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